Texto de Mark Nascimento (Ascom Secult)

O folclore desperta nas pessoas uma sensação de vínculo das comunidades, assim como a valorização das tradições locais. É com o objetivo de estimular esses sentimentos que o artista Ronickson Okobayewo lançou a exposição “A Lira”, com curadoria de Rafael Sarti e participação de Caio Morais. A mostra está aberta para visitação até o dia 03 de setembro, no hall principal do Museu Palácio Floriano Peixoto, centro de Maceió.

Natural de Rio Largo, mas radicado em São Miguel dos Campos, Roniekson Okobayewo aplica seu dom artístico em expressar as manifestações culturais do seu povo por meio de quadros e esculturas incomparáveis. Desde 2000, o artista se dedica na elaboração e gestão de projetos culturais, realizando exposições, oficinas de arte popular, curadoria e expografia de exposições artísticas. Agora, o mestre da cultura popular alagoana volta com mais uma exposição de encher os olhos.

A Lira é um dos principais personagens do Folguedo Guerreiro, a qual sempre chamou a atenção de Roniekson. Representando toda sua ancestralidade em processos de dança e trabalho, é o nome dela que a exposição carrega. A mostra tem como temática os Folguedos de Alagoas, parte integrante do folclore, que são festas populares cheias de ritmos e danças.

As peças da exposição se destacam por suas singularidades, indo desde esculturas humanóides vestidas com os ornamentos de Folguedos até pinturas que eternizam  os festejos populares em forma de tinta. Os personagens do Guerreiro se fazem presentes por sua opulência e esplendor, como a própria Lira, a rainha, a Banda da Lua, o mestre e contramestre, e a peça favorita de Okobayewo: A Efêmera. “A Efêmera tem uma representatividade muito grande, uma mulher negra, grávida, dentro de um folguedo, como se dissesse ‘o folguedo se mantém vivo dentro de mim’”, explicou o artista.

Essa é uma oportunidade para o público conhecer mais a fundo as raízes, a narrativa ancestrais e a história de Alagoas contada em todo o seu processo cultural. Apenas uma vez por ano Roniekson consegue expor suas obras, e além de ser gratuito, o público conseguirá ter acesso a uma vastidão de peças que retrata as manifestações folclóricas do estado. “Quer ver cultura, quer ver material de qualidade? Vem no Mupa”, convida o folclorista.

Valorizar a cultura também é um dos objetivos da Mostra. “A Cultura tem muito ainda a ser explorada. Eu só posso amar aquilo que conheço, então se eu não conhecer, não preservar e não cuidar enquanto se pode achar, talvez chegue um momento em que não teremos mais isso. O processo de preservação começa naquele intuito de você querer pelo menos conhecer. Conheça a cultura e os saberes populares. Dessa forma, além de preservar, conseguiremos manter viva essa cultura do estado das Alagoas”, destacou Roniekson Okobayewo.

Para a secretária de Estado da Cultura, Mellina Freitas, a exposição “A Lira” demonstra o alto potencial dos artistas alagoanos. “Os nossos artistas são muito talentosos, isso fica evidente quando uma exposição como essa é aberta ao público. O folclore alagoano é tão rico e variado, e toda essa abundância é tão bem traduzida pelo artista Roniekson Okobayewo”, apontou.

Obras estão expostas no Museu Palácio Floriano Peixoto (Foto: Daniel Borges)