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HGE: A crítica tardia e, a responsabilidade dos parlamentares em quatro anos em silêncio

Por Elias Barboza – jornalista e escritor

Em período pré-eleitoral, volta ao debate público a situação do Hospital Geral do Estado (HGE), em Maceió. Nos últimos dias, dois deputados passaram a fazer críticas aos investimentos destinados à unidade, levantando questionamentos sobre sua estrutura, atendimento e funcionamento. O que chama a atenção, entretanto, é o momento em que essas manifestações surgem. Se as dificuldades do maior hospital de urgência e emergência de Alagoas são conhecidas há anos, por que somente agora esses parlamentares resolveram transformar o tema em discurso político?

Mais importante do que discursos é a prestação de contas. A sociedade tem o direito de saber quantas emendas parlamentares os deputados federais de Alagoas destinaram ao HGE ao longo de seus mandatos, quais foram os valores efetivamente pagos e em que áreas esses recursos foram aplicados. Também é legítimo perguntar quanto foi destinado para a aquisição de equipamentos, medicamentos, ampliação da estrutura física, valorização dos profissionais de saúde, qualificação das equipes e melhoria das condições de trabalho.

O mesmo questionamento deve alcançar todos os parlamentares, independentemente de partido, inclusive osintegrantes do Partido Liberal (PL). Afinal, quem critica a situação de um hospital público também deve demonstrar, com transparência, qual foi sua contribuição concreta para melhorar essa realidade. O mandato parlamentar não se limita à fiscalização; ele também dispõe de instrumentos importantes, como as emendas ao Orçamento da União, capazes de fortalecer os serviços públicos de saúde.

O debate público precisa ser sustentado por fatos e números, não por narrativas eleitorais. Se houve destinação de recursos, é necessário apresentar os valores, os objetivos e os resultados alcançados. Se não houve, a população também merece saber. Transparência é uma obrigação de todos os agentes públicos.

A saúde pública não pode ser reduzida a um palco de disputas políticas. O HGE atende milhares de alagoanos todos os anos, recebendo vítimas de acidentes, violência e inúmeras situações de alta complexidade. Seus profissionais enfrentam diariamente desafios que exigem investimentos permanentes, planejamento e responsabilidade administrativa. O eleitor está cada vez mais atento. Em tempos de eleições, críticas sem histórico de atuação efetiva tendem a ser recebidas com desconfiança. A população espera menos discursos e mais compromisso com soluções concretas. Fiscalizar é essencial,mas colaborar é igualmente um dever de quem foi eleito para representar o povo.

Ao final, permanece uma pergunta simples, porém indispensável: além das críticas, quais ações efetivas esses parlamentares realizaram para fortalecer o HGE e melhorar o atendimento prestado aos alagoanos? A resposta deve vir acompanhada de documentos, emendas executadas e resultados concretos. Afinal, em uma democracia madura, a melhor propaganda política continua sendo o trabalho realizado, e não apenas o discurso de ocasião.

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