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Publicação mapeia prática cultural centenária de Alagoas
Daniel Borges / Ascom Secult com redação
Entre as personalidades que representam esse legado está Maria de Clarice, reconhecida como Mestra do Patrimônio Vivo de Alagoas desde 2016. Moradora do município, ela simboliza a resistência e o orgulho de uma prática artesanal que ultrapassa o tempo e continua viva nas mãos habilidosas de mulheres rendeiras.
O inventário, disponível em formato digital, apresenta não apenas o processo de confecção da renda, mas também o contexto social e cultural das artesãs, a fabricação dos bilros e o passo a passo dessa arte minuciosa, que exige atenção e destreza. A obra ainda reúne perfis de rendeiras como Júlia dos Santos, Maria Verônica, Maria José Davi, Maria Rosa dos Santos, Josefa Seceriana, Vânia Morais, Diva dos Santos Lessa, Maria Vitória e Maria Alice, mulheres que mantêm viva essa tradição no município.
O inventário é resultado do projeto RendeArt, realizado com recurso da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), do Ministério da Cultura (Minc), e operacionalizado pelo Governo de Alagoas, por meio da Secretaria de Estado da Cultura e Economia Criativa (Secult).
A secretária de Estado da Cultura e Economia Criativa, Mellina Freitas, destacou o impacto da iniciativa para a valorização do patrimônio cultural alagoano.
“Preservar e valorizar tradições como a renda de bilros é garantir que a história e a identidade do nosso povo continuem vivas. São práticas como essa, mantidas pelas mãos habilidosas de mulheres como a nossa mestra Maria de Clarice, que nos conectam com nossas raízes e inspiram as novas gerações”, ressaltou a gestora.

Detalhes da prática cultural
A renda de bilros, além de ser uma técnica artesanal sofisticada, é um saber transmitido de geração em geração. O processo começa com a preparação dos bilros, carregados com fios, e passa por uma série de movimentos coordenados, onde as rendeiras cruzam e entrelaçam os fios guiadas por um gabarito fixado sobre uma almofada. A tensão dos fios, a precisão nos pontos e o cuidado com os detalhes resultam em peças únicas, aplicadas em roupas, enxovais, itens decorativos e obras de arte.
Entre os pontos mais conhecidos da técnica estão o ponto cheio, o ponto rede e o ponto folha, que permitem criar desenhos complexos e elegantes, evidenciando a habilidade das artesãs.
O inventário apresenta também um acervo fotográfico que detalha o processo de produção e as peças confeccionadas, revelando a beleza singular da renda de bilros.
Um registro para as gerações futuras
O antropólogo Levy Félix Ribeiro, que cresceu em São Sebastião e desde criança se encantou com a renda de bilros, enfatizou que o inventário é um registro inicial e didático, que busca estimular o reconhecimento e a continuidade da tradição.
“A pesquisa que resultou no inventário é de grande importância porque contribui com a memória e a valorização das rendeiras de São Sebastião. Ele não é um documento fim. É uma contribuição inicial, didática, que aposta no visual, nas imagens e nos pequenos relatos de quem vive a renda de bilros no interior alagoano”, ressalta Levy Ribeiro.
O Inventário Cultural é um instrumento que permite identificar, descrever e organizar as informações sobre bens culturais de um povo. Além de preservar a memória social, serve como base para a formulação de políticas públicas de proteção do patrimônio cultural.