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Sabe por que querem “aposentar” Lula?


Elias Barboza – Jornalista e escritor

Sabe por que há setores políticos e econômicos interessados em ver Lula fora do jogo? A pergunta merece ser feita — e respondida olhando menos para os discursos de palanque e mais para aquilo que chega à mesa, à farmácia, à escola e à casa do brasileiro. Não é preciso gostar de Lula para reconhecer que algumas políticas de seu governo produziram mudanças concretas. A saber, a Farmácia Popular, por exemplo, passou a oferecer gratuitamente 41 itens, entre medicamentos, fraldas geriátricas e absorventes. Segundo o Ministério da Saúde, somente em 2025, 27,3 milhões de pessoas foram beneficiadas pelo programa. A política alcança atualmente mais de 4,9 mil municípios e 97% da população brasileira.Isso não é ideologia. É medicamento na mão de quem precisa.

O Pé-de-Meia segue a mesma lógica: criar um incentivo financeiro para que estudantes de baixa renda permaneçam no ensino médio e concluam seus estudos. Para uma família que vive contando moedas, um programa dessa natureza pode significar a diferença entre o jovem permanecer na escola ou abandonar os estudos.

E o programa Minha Casa, Minha Vida? Política que recolocou a habitação popular no centro da agenda federal. O princípio é simples: moradia não deveria ser privilégio de quem consegue pagar preços cada vez mais altos no mercado imobiliário. O Gás do Povo, mas recente, mostrou o quanto é útil para a população pobre deste país, levando gratuitamente o botijão a famílias de baixa renda.

E os números do mercado de trabalho também precisam entrar nessa conversa. O IBGE registrou taxa anual de desemprego de 5,6% em 2025, a menor da série histórica iniciada em 2012. A população ocupada chegou a 103 milhões de pessoas, também recorde da série. Mas é justamente quando políticas sociais começam a produzir resultados que a disputa política se torna mais intensa. Há quem prefira um Estado mínimo para o pobre e máximo para proteger interesses econômicos. Há quem considere investimento público em saúde, educação, moradia e transferência de renda um desperdício. E há quem veja o Estado como instrumento de redução das desigualdades e de oportunidades. Eis a disputa de fundo.

Na segurança pública, Lula também mudou a política federal sobre armas, endurecendo regras para aquisição e registro de armamentos por CACs em relação ao período anterior. E há uma questão ainda maior, os patrimônios públicos como-, Petrobras, Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e Correios continuam sob controle estatal. Para alguns setores, isso representa atraso; para outros, significa preservar instrumentos estratégicos do Estado brasileiro.

Também existe uma disputa cada vez mais evidente em torno do orçamento público e das emendas parlamentares. O conflito envolvendo as chamadas “emendas Pix” revelou uma questão que não pode ser ignorada: quem decide para onde vai o dinheiro público e com qual nível de transparência? E é justamente por isso que a eleição não deveria ser tratada como guerra de memes, vídeos ou discursos religiosos. O eleitor precisa perguntar: quem ganha e quem perde com cada projeto de país?

Lula pode ser criticado, seu governo pode e deve ser fiscalizado. Programas públicos precisam ser avaliados, corrigidos e cobrados. Contudo, nenhum governante está acima da crítica. Mas também não se pode apagar números que existem. Em 2025, o Brasil registrou a menor taxa anual de desemprego da série histórica do IBGE. O Farmácia Popular chegou a 41 itens gratuitos. Milhões de brasileiros passaram a ser alcançados por políticas de medicamentos, moradia, educação e transferência de renda. Isso não transforma Lula em santo. Transforma os fatos em fatos. No Brasil, ninguém deve ser “aposentado” politicamente por decreto de banqueiro, empresário, religioso, parlamentar ou comentarista ou por não concordar com suas ações para uma classe trabalhadora tão sofrida neste país. Mas, quem decide é o eleitor.

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